Em outubro de 2014, divulgamos uma pesquisa nossa que permitiu a localização do pedestal desse pelourinho de 1815, que foi aproveitado como base para construção da Pirâmide de Beckman, localizada na Avenida Beira-Mar e inaugurada em 28 de julho de 1910 para marcar o local da execução de Manoel Beckman e ao mesmo tempo, homenageá-lo. Essa informação, ou seja, a relação entre a Pirâmide de Beckman e antigo Pelourinho não constava mais nos livros sobre história do Maranhão nos últimos noventa anos, tinha se perdido. A historiografia, entendia que não havia restado  vestígios do monumento, que ele teria sido totalmente demolido com o advento da República, o que provamos o contrário, seu pedestal tinha permanecido.Onde ficava a Pirâmide no Campo de Ourique ?O monumento foi construído por membros do Exército para homenagear a Coroação do Imperador D. Pedro II, é um dos monumentos mais antigos de São Luís, projetado em 1841, pelo Tenente Coronel José Joaquim Rodrigues Lopes, do Imperial Corpo de Engenheiros e concluído em 28 de julho de 1844. Em fins do século XIX, o povo passou a chamar esse Obelisco de Pedra da Memória. Assim como no caso do Pelourinho, o dado novo é também o ícone, trazendo a exata localização desse monumento no Campo de Ourique, sua antiga localização de origem, quase na direção lateral do início da Rua dos Prazeres, de frente ao portão de retaguarda do Quartel Militar do 5.º Batalhão de Infantaria, antes de ser removido em 1946 para o Fortim de São Damião, semicírculo situado na Avenida Beira-Mar. Atualmente, esse local originário da Pedra da Memória é onde fica o prédio do Liceu Maranhense. 


Cais da Sagração em construção
A planta mostra o Cais da Sagração em construção. Em 1858 a obra tinha atingido o início da praia do Caju, com mais ou menos, um terço construído. Os pontilhados seguintes na planta demonstram o restante a ser construído para sua conclusão, devendo chegar até o Largo dos Remédios, hoje, as imediações da Praça Gonçalves Dias e Praça Maria Aragão. O Cais teve sua construção iniciada em 11 de setembro de 1841, por ocasião das comemorações em homenagem a coroação e sagração de D. Pedro II, por isso que têm esse nome. Iniciado

o começo do segundo reinando, no Império, teve altos e baixos, muitas interrupções e retomadas, mudanças de engenheiros responsáveis e outros empecilhos, sendo concluída somente na República, em julho de 1909, com uma pomposa cerimônia de inauguração, com direito a colher de pedreiro de prata para assentar a última pedra e argamassa, após 68 anos de construção. Essa obra foi possivelmente uma das mais longas do período imperial, seu objetivo principal era proteger as

fundações da muralha de arrimo lateral do Palácio do Governo, que estava ameaçada com o avanço do mar, além de proteger toda margem esquerda do Rio Anil, que sofriam assoreamentos constantes provocados pelo o avanço do mar, além de questões sanitárias e de embelezamento daquela parte da cidade.

As Praias antes do Cais

Um outro aspecto interessante da São Luís de meados do século XIX, que essa planta nos revela, são as praias existentes antes da construção do Cais da Sagração, que foram extintas e aterradas com a construção dessa obra, embora, perceba-se permanências de nomes de algumas delas na memória social, como a praia do Caju. Algumas delas são pouco conhecidas ou até mesmo, completamente desconhecidas. As praias citadas são: praia da Trindade (onde Beckman teria sido enforcado), praia Pequena, praia do Caju, praia do Cisco, praia de Santo Antônio e praia dos Remédios.

 

Campo de Ourique

A planta mostra que em 1858, toda área da frente do Quartel ainda era chamada de Campo de Ourique e a posterior também. Outras denominações também foram atribuídas a esse Campo, como Largo do Quartel (a área da frente) e Largo da Pirâmide (a área posterior), onde se localizava a Pirâmide. Com o advento da República, o Largo do Quartel, anteriormente denominado de Praça da Independência (1868), transformou-se em Praça Deodoro da Fonseca que é hoje o quadrilátero defronte à Praça do Panteon (fundada em 1954, em frente à Biblioteca Pública), erroneamente confundida com a Praça Deodoro. Percebe-se que os nomes “Campo de Ourique” e “Largo do Quartel”, mesmo depois das mudanças da toponímia, ainda permaneceram muito tempo depois no imaginário coletivo e na memória da Cidade até a primeira metade do século XX.

Esta é mais uma publicação da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA/Assessoria de Imprensa

MHARIO LINCOLN é Presidente da Academia Poética Brasileira. / Informações para esta coluna: mhariolincolnfs@gmail.com CURITIBA-PARANÁ-BRASIL. Jornalista Profissional/Sindicalizado

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