Esta é mais uma publicação da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA/Assessoria de Imprensa

MHARIO LINCOLN é Presidente da Academia Poética Brasileira. / Informações para esta coluna: mhariolincolnfs@gmail.com CURITIBA-PARANÁ-BRASIL. Jornalista Profissional/Sindicalizado

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Cirlei Fajardo: a poesia coerente

Exclusiva a Mhario Lincoln
"Posso mudar o exterior e modificar a beleza aparente, transitória e efêmera que um dia acaba... Lapido quase tudo em mim...A verdadeira joia que carrego no peito, dentro de minh'alma, porém, somente olhos atentos irão tocar e até mesmo ver..."
Cirlei Fajardo in Facebook (time line).

1 - MHARIO LINCOLN: Sua poesia tem muito do místico e do lírico místico, como se uma oração fosse. Isso garante uma intensidade emocional imensa. VC sente isso ao escrever?

CIRLEI FAJARDO: Mhario grata pela oportunidade de partilhar contigo e com os demais um pouco da minha essência.
Normalmente não me apresento como poeta pois acredito que ainda tenho muito a aprender, sou alguém que escreve, acredito também que sou instrumento sendo utilizado muitas vezes.
Quando escrevo tenho a necessidade de me recolher para não perder o fio da meada me desconcentrando pois caso isso ocorra, não é mais possível resgatar o texto escrito, e ele é escrito mas não partilhado pois se perde no vácuo por vários motivos operacionais ou talvez só eu devesse ler o que surgiu numa inspiração.
É como se ele entrasse por uma porta aberta e automaticamente ela se fecha quando a ideia está já digitada e geralmente escrevo e imediatamente anexo as imagens ou vídeos necessários publicando nas redes sociais que frequento, com exceção aos textos que acabam retornando nas lembranças ou notificações e acabo partilhando novamente, justamente por esse motivo gosto de trazer todos com as datas em que foram escritos.
Um dos únicos versos rascunhados é o Poema Anjo escrito em 16 de dezembro de 2014 dentro do ônibus Ligeirinho indo para o trabalho enquanto eu ouvia a música 'Angel of the morning' (Carpenters) e o clic aconteceu... e confesso... naquele momento um anjo me acompanhava e em suas asas eu me abriguei... a música já vinha se repetindo há dias mas nesta manhã os versos tomaram vontade de ali mesmo se deitarem em papel... no dia seguinte fui buscar um vídeo no You Tube e encontrei um que trazia imagens de uma série Fantasy que eram o poema em imagens.
Desde então, tenho compartilhado os 3: vídeo... música e poema.

Anjo...

 

Dizem que não se deve amar 
os Anjos...
Mas quando você chega pela manhã
ou a qualquer hora do dia...
Esqueço que prometi não mais 
me entregar à eles e amá-los...
Esqueço que não tenho asas...
Anjo... 
Guarda suas asas...
E dance comigo... 
A música já começou...
E se eu cair... 
Que seja no precipício do seu 
terno abraço...
Morno... 
Quente... 
E nele me deixar incendiar...
E depois... 
Na tua calma... 
Me acalmar...
Anjo... 
Anjo...
Venha... 
Vamos voar neste imenso azul 
Onde o infinito é só nosso...
Vamos sentir o vento nos envolvendo... 
Somos pássaros livres...
Anjo... 
Fite as janelas de minh'alma... 
Olhe o que elas estão dizendo...
Murmure suavemente meu nome 
em meus ouvidos...
Deixe-me ouvir e me embriagar
com o som da sua voz...
Anjo... 
Anjo...
A música está tocando...
Ela pode durar somente este instante...
Ou pelo tempo de uma vida inteira 
de vôos intermináveis...
E desse doce segredo...
Anjo...
Anjo...
Anjo...

Cirlei Fajardo
16 de dezembro de 2014

https://youtu.be/EL_zhBYJRRM

Em outros momentos meus textos são reflexões profundas e se analisarmos a mensagem contida neles pode-se dizer que é uma forma de oração, porém, já aconteceu com alguns textos de parecerem ter endereço certo e o destinatário sempre aparece para falar da mensagem.
Outros porém, são sentimentos que brotam e são exteriorizados enquanto escrevo.
O misticismo sempre me encantou desde criança, a contemplação do que está do lado de fora das minhas janelas d'alma, a melodia trazida das músicas, os cheiros no ar, as lembranças de momentos que chegam como se fossem um "dejavu", outros a inspiração nasce com uma música, uma imagem vista, um sentimento que está dentro de mim e precisa ser exteriorizado.
Pensando de forma mística e também na evolução como meta na minha caminhada nas minhas criações literárias procuro trazer o lembrete de que somos eternos aprendizes e isto é o que me motiva a manter a coleção "Aprendiz" no googleplus onde sempre publico assuntos relacionados à evolução humana.
No Facebook participo de uma comunidade onde os textos e postagens são com o intuito de fazer pensar na evolução e num modo de procurar viver de forma mais harmoniosa.

2 - MHARIO LINCOLN: Muitos poetas do nosso tempo e de tempos idos acabaram por trazer temas sócio-políticos para suas poesias. Em alguns casos, houve repercussão e mudança. Em outros, o reclame e o protesto ficaram apenas no tempo e marcaram uma época. Você acredita que o poeta ao envolver-se diretamente com temas políticos contribui para mudança dos acontecimentos ou apenas fortalece sua produção lírica? (Esta pergunta eu faço a quase todos os poetas que são entrevistados por mim. Permita-me fazê-la).

CIRLEI FAJARDO: Eu acredito que sempre possa contribuir quando o discurso do poeta é centrado e coerente, digo isso porque há pessoas que acreditam piamente em alguns poetas e o veem como dono de verdades. 
Temos que ter cuidado com o que falamos e em tudo que escrevemos justamente por isso.
Na última eleição acabei uma amizade justamente por isso.
Falo muito pouco sobre o assunto nos textos que escrevo pois não me acho suficientemente preparada para falar tudo o que penso sobre os políticos e a política. Na última eleição acabei uma amizade justamente por isso pois uma pessoa, jornalista inclusive, veio me cobrar do por que não havia nada na minha linha do tempo sobre os presidenciáveis e a presidenta alegando que eu tinha o dever de falar sobre tal assunto e não ficar só falando de amor... amor... e mais amor.
Se ele é alguém que teoricamente está preparado para discursar e vive em meio a manifestações defendendo ideais aqui e acolá e nas suas publicações eu não via e ainda não vejo um texto sequer escrito assinado por ele defendendo as suas opiniões e dando a cara a tapa se for o caso, por que eu deveria me comportar como um "papagaio" que só repete o que ouve? Eu seria no mínimo incoerente em falar ou escrever sobre esse assunto e mesmo que ele e outros me chamem de analfabeta política, assim fui chamada, eu não me acho assim porque deixo que os preparados falem por mim, prefiro dar a minha resposta nas urnas, e isto eu faço e sempre relembro a minha lista de amigos para fazer o mesmo. Não vou à manifestações porque elas nunca são pacíficas e sempre acontecem os absurdos e a violência. 
Há pessoas que falam horrores durante o dia e atacam todo mundo, ou seja, atiram para todo o lado e à noite entre as paredes das suas casas ficam a espreita e temerosos que quem bate às suas portas enquanto dormem, utilizando todo tipo de ferrolho em portas e janelas.

2 - MHARIO LINCOLN: Houve uma ocasião em que você havia decidido não mais escrever. Recolher-se ao seu Nivarna. Pode contar um pouco dessa passagem em sua vida?

CIRLEI FAJARDO: Comecei a escrever por volta dos 14 anos na escola, aos 15 anos passei 1 ano e meio escrevendo cartas de amor para o meu primeiro amor e ao término do namoro por correspondência (99%) e presencial (1%) reli todas as cartas e em seguida rasguei todas elas e decidi não mais escrever. Aos 23 anos conheci o pai do meu filho e como ele sempre me presenteava com cartões prontos não me entusiasmei em voltar a escrever e esse período durou 24 anos.
Ao me divorciar, passar por uma cirurgia que mudou a minha vida, passar por um período depressivo profundo pensei cá com meus botões isso não me pertence... Foi quando iniciei meus passos nas redes sociais e tive acesso aos mais lindos textos, vídeos, e tudo isso mudou o meu olhar e voltei a escrever e muitos amigos incentivavam e entre eles havia Raul que me incentivou e me convenceu a fazer vídeo poemas e os 4 primeiros poemas foi ele quem editou, mas como nada é perfeito, discordávamos pois ele dizia que meus poemas eram prolixos e que poema só se fazia com música instrumental. Ele ficou no canto dele e eu no meu... continuei a escrever e anexar os vídeos que habitualmente uso nas minhas publicações.
Muitas foram as vezes que eu já estava com o dedo na tecla deletar mas voltei atrás e não encerrei minhas contas nas redes sociais.
Escrever está me salvando há 5 anos... no mês passado... novamente a vontade não faltou de não escrever mais uma linha sequer... a dor na alma é incrivelmente dolorosa e solitária e mesmo um especialista em gente sabe ler o que carregamos na alma, ele pode até supor que seja isso ou aquilo mas nunca terá certeza de nada... se tivessem não haveria tanta gente maluca fazendo o que não deve por aí.
Hoje tenho tempo para escrever, a vida inteira foi ocupada trabalhando, cuidando de casa, filho, marido, e tentando ficar perto da família e não sobrava muito tempo para por pra fora o que estava dentro. 
Nos últimos 30 dias aproximadamente tenho escrito muito, revisto o que já escrevi, estou tentando novamente me salvar, e assim persisto nas minhas buscas, no que insisto e desejo não só para mim mas para outras pessoas também, conheci outras pessoas e isso tem feito um bem danado para esse momento em que estou sendo testada.
Talvez um dia eu pare de escrever mas até lá vou dançando com as letras um ballet que ninguém dançará por mim e tampouco vislumbrará os meus pensamentos se eu não os colocar em letras muito bem dispostas e compreensíveis.

4 - MHARIO LINCOLN: Em que momento, seguramente, você disse para si mesmo: "puxa esta é minha obra prima". Isso já aconteceu, ao reler produções literárias suas?

CIRLEI FAJARDO: Algumas vezes sim.... Num domingo ao raiar do dia... 14 de outubro de 2014... escrevi O Mar e a Areia... ouvia a música Solitudes do vídeo que está em outro poema meu.
Ele ficou tão encantador e mágico que foi posto em dois vídeos por dois diferentes editores e um deles o declamou... quando me avisaram da declamação eu fui verificar.... chorei novamente pois a pessoa leu o poema exatamente como eu leria... mas nenhum dos dois manteve o vídeo que inspirou o poema infelizmente. 
E para quem quiser sentir o que senti vai precisar ver os dois vídeos "O mar e a Areia" e também "Eu e o Mar" ambos com edição de vídeo de José Cantos, que soube aliar maravilhosamente em vídeo vários poemas meus e até que surja um outro editor que saiba ler as linhas e entrelinhas ele ainda será a minha escolha.
O poema abaixo é um dos meus prediletos... um breve momento em que o tempo parou e o Mar e a Areia se encontraram... passearam... enquanto uma canção tocava... e o céu a tudo assistia enquanto da cozinha de minha casa eu me transportava para esse lindo lugar no vídeo... é assim que nasce a poesia... um breve mas infinito tempo... tempo de poesia...

 

O MAR E A AREIA...

Que posso dizer do tempo...
sobre o que vai além dele...
além da areia... do mar e do horizonte...
O mar vem todos os dias...
E da areia quer ficar mais próximo...
vem calmamente...
e a toca suavemente...
nos dias de sol...
noutras intempestivamente...
profundamente...
quando a tempestade vem...
passa o dia assim...
indo e vindo...
brincando com a ela... 
e a cada vez que vem...
leva um pouquinho dela...
num ciclo sem fim...
ninguém o conhece o suficiente...
guarda grandes mistérios...
e o que dizer do farol...
farol apagado... 
não guia ninguém...
fica ali... contemplando o horizonte...
farol precisa brilhar...
mostrar o caminho...
guiar os barcos que
da praia se aproximam...
E o que direi do céu...
intensamente azul... 
pintado de nuvens...
me mostrando o infinito...
e do meio de suas nuvens
surja chuva...
mansa... fina...
ele pode também escurecer...
trazendo temporal...
mas está sempre ali...
sobre as nossas cabeças...
dia e noite...
sobre o mar e sobre a areia...
e destes dois ser o coadjuvante
observador... 
e dos segredos do mar e da areia...
tudo saber...
E o que direi de mim...
serei mar...
carregarei a areia para passear comigo...
ou serei areia levada pelo mar...
e embora passe o tempo...
o dia e a noite...
o céu a tudo contempla...
tudo observa e tu vê...

Cirlei Fajardo
04 de outubro de 2014